Aconteceu no dia 02 de outubro de 2015 no Atelier da Alma a nossa segunda vivência em teatro sistêmico. Trata-se de uma proposta de experiências criativas apoiadas no fenômeno da improvisação e da busca da relação que promove trocas.
Nossa proposta foi gentilmente acolhida por Heloísa a guardiã do espaço e contou com a presença de amigos e interessados.
Nosso ritual começou com a lavagem dos pés das pessoas que chegavam para participar da vivência, como proposta de aproximação e desconstrução de distancias possíveis entre cena/publico.
Este foi um momento impar, com o qual aprendi sobre sensibilidade e necessidade de acolhimento. Principalmente quando eram meus pés a serem lavados. O sentimento era de estar sendo reconhecida, cuidada. Um ato tão simples e tão intenso.| Nicolle lavando os pés de uma pessoa e Alex como guardião da entrada. |
A cena continuou na cozinha, nós aprendemos que para amar é bom estar bem alimentado. Neste espaço de comidinhas temos tempo para rir e contrapor as emoções despertadas no primeiro contato.
| Muriel - Foto Marcelo Matos |
Por fim chegamos ao momento em que as funções eram menos claras e pré definidas, em que nossos desafios de artistas passam a ser com o auto cuidado no momento da exposição ao vazio do improviso.
Neste momento as pressões são pessoais, do que aprendemos a nos exigir, do quanto desejamos ser bons naquilo que nos propusemos a fazer, contudo a única coisa que temos certeza é que não temos nada preparado, nenhuma carta na manga, mas a constante intenção de estar presente. A expressão é o resultado do empenho em ser honesto. Poder falar com o medo que dá, com as mãos que suam, com a ansiedade que ataca, com as palavras que não saem. Ou honesto com o que estiver pulsando no corpo. O improviso não é a criação ou invenção de um ser, mas o reconhecimento do que desponta como real no momento da ação. Uma desmontagem do procedimento comum da atuação.
| Foto Marcelo Matos |
No fervor dos anseios cheios de antecipação o segredo é focar nas percepções corporais. Estrategia de auto sensibilização e concentração em impulsos internos. Quanto mais o foco encontra bases internas mais as raízes da ação crescem em um vetor de exploração de pontos objetivos, dessa forma o foco estabiliza o anseio, pois tudo tem a sorte de fazer parte. A ação se estabelece endereçado, e se não acontece nada, o nada por si só já é sobre a sorte de ser o suficiente para o nosso encontro. Assim, agradecemos os presentes, pois também somos, apenas presentes.
Por: Daiane Fonseca

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